A Associação dos Naturais de Moçambique e o espectro do nacionalismo euro-africano: A crise de 1960
DOI:
https://doi.org/10.48751/CAM-2025-24420Palavras-chave:
Nacionalismo, Colonialismo de povoamento, Moçambique, Colonos, AssociativismoResumo
Neste estudo debruçamo-nos sobre a história e o funcionamento da Associação dos Naturais de Moçambique (ANM). A ANM, associação que remonta ao ano de 1935, procurou agrupar os colonos europeus nascidos no território de Moçambique, apresentando-se como uma associação de cariz cultural e recreativo. No entanto, e em particular no final da década de 1950 e início da década de 1960, esta interveio ativamente em debates de natureza política. Entre os Naturais figuraram vários elementos afetos à Oposição Democrática, e a estrutura protagonizou mesmo um papel central na crescente agitação autonomista na colónia. O seu periódico, A Voz de Moçambique, é também analisado. Este foi palco de críticas a determinadas práticas racistas, elemento importante de defesa de uma maior autonomia administrativa e teve o seu discurso sobre matéria económica pautado por uma abordagem desenvolvimentista, que convergia com os interesses da burguesia ultramarina e a sua pretensão de atingir a “maioridade” económica. O cruzamento destas diversas sensibilidades adversas à situação culminou na crise do ano de 1960, que descrevemos com pormenor por se tratar de uma manifestação evidente do confronto entre um Estado colonial leal e dependente de Lisboa com os elementos de inspiração autonomista da sociedade branca de Moçambique. Procurando não apenas integrar-se, mas dar um contributo inovador aos estudos do colonialismo de povoamento em Portugal, este é um trabalho que analisa, e coloca em diálogo, a figura do colono progressista e a afirmação do nacionalismo euro-africano, entendido como movimento de agitação política por parte do estrato colonizador da sociedade moçambicana.
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