Nº 29: IMPRENSA PERIÓDICA: REPRESENTAÇÃO, INFORMAÇÃO E PODER DAS ORIGENS À ATUALIDADE | Chamada para artigos | até 30 de junho de 2027

24-08-2026

Coordenação científica
Conceição Meireles Pereira
Universidade do Porto, Portugal

Data limite para submissões
30 de junho de 2027

Sinopse
Meio privilegiado de difusão de informação, as publicações editadas na Europa com periodicidade regular remontam à primeira metade de Seiscentos, e o seu papel não deixou de crescer, atingindo dimensão mundial e servindo os mais variados interesses e propósitos, desde a divulgação noticiosa à simples recreação e lazer, da vulgarização de práticas e saberes à disseminação cultural, passando pela veiculação de ideologias e doutrinas de todo o tipo, políticas, económicas, religiosas.

As publicações periódicas tornaram-se a voz de grupos de poder e de saber, em escalas muito diferentes, plasmando-se em tipologias diversas como boletins, almanaques, jornais ou revistas, num universo pautado por enormes diferenças de relevância, função, longevidade, qualidade gráfica, tiragens, geografias de difusão, públicos-alvo, entre outros fatores. Se os grupos ascendentes encontraram na imprensa periódica uma forma de exercício do seu poder, material e simbólico, a manutenção e propaganda dos seus organismos e quadros de valores normativos, as associações de indivíduos, desde logo as profissionais, mas em geral todas elas, procuraram visibilidade, coesão, palco de afirmação identitária e de reivindicação.

Como instrumentos das sociedades em comunicação, os periódicos ganharam largo alcance enquanto espaço de produção, circulação e mediação de ideias, tornaram-se fazedores de opinião pública, moldaram perfis de pensamento, suscitaram a reflexão, incitaram à ação, promoveram o debate pacífico e o confronto aberto, exerceram formas de poder moderador. O seu grande impacto social granjeou-lhe a identificação com o 4.º poder.

Intrinsecamente ligada à existência/inexistência de liberdade de expressão e de publicação, a imprensa periódica tem sido objeto de variados tipos de censura, consoante os contextos político-sociais, e nesse embate sucumbe e renasce, encontrando inclusive formas de produção e circulação clandestinas.

A sua vocação de alcançar vastos públicos aguçou o seu imparável crescimento, aliado ao progresso técnico e à democratização do conhecimento, com estratégias várias de fidelização do leitor/comprador. A linguagem verbo-visual passou a imperar, num mundo cada vez mais dominado pela imagem, e os periódicos diversificaram as suas formas de comunicação, fornecendo renovados géneros de rubricas, aumentando a publicidade, atraindo mais amplas e diversificadas, mas também especializadas, camadas de leitores, cujas mundividências e formações passaram a corresponder aos múltiplos veículos de informação que foram surgindo, mas também exigindo deles a adequada aproximação aos factos e verdades do momento.

Face à necessidade de abarcar todos os setores temáticos, a especialização permitiu o florescimento de numerosos tipos de periodismo como resposta aos diferenciados tipos de gostos e interesses. Cultura, informação, negócio, a imprensa periódica suscita rentabilidades de distintas naturezas, reinventa-se e resiste na passagem ao digital.

Complementarmente, a organização e preservação dos extensos espólios hemerográficos coloca-se como um desafio do presente.

Testemunho e legado da sua época, investigada como objeto em si ou como fonte para pesquisa de múltiplas temáticas e indagações, a imprensa mobiliza estudos de um vasto espectro científico, da História à Sociologia, das Ciências da Comunicação e da Informação à Ciência Política, dos Estudos Culturais à Ética, entre outras disciplinas que apresentam diferentes (e complementares) perspetivas, problematizações e metodologias, desencadeando incessantes abordagens num imenso e fecundo campo de análise.

Linhas Orientadoras
Este Dossier visa reunir estudos que possam contribuir para o aprofundamento e alargamento do saber sobre o periodismo como fenómeno multidimensional e global, acolhendo abordagens científicas e metodológicas plurais, focadas no estudo de casos ou na análise comparativa, incidindo em fontes inéditas e até raras, ou revisitando de forma inovadora acervos conhecidos, inclusive consagrados. Dada a imensidão de tal objeto de análise, aceitamos a submissão de propostas de artigos que reflitam essa diversidade, sugerindo, a título ilustrativo, os seguintes temas:

• Periodismo como representação, memória e fonte histórica
• Empresas jornalísticas, agentes, técnicas e estratégias
• Diversidade tipológica, funções sociais e públicos
• Regimes de liberdade e de censura, contrapoder e clandestinidade
• Do direito à informação aos usos da informação
• Do exclusivismo à democratização da imprensa periódica
• Imprensa periódica e História do Tempo Presente
• Perspetivas comparadas e transnacionais
• Políticas e práticas de preservação do património hemerográfico