Nº 28: ICONOGRAFIA DAS CIDADES | Chamada para artigos
Coordenação científica
Raquel Henriques da Silva (Universidade Nova de Lisboa, Portugal)
Hélia Silva (Gabinete de Estudos Olisiponenses, Portugal; Universidade Nova de Lisboa, Portugal)
Data limite para submissões
31 de dezembro de 2026
Sinopse
“The city is a fact in nature, like a cave, a run of mackerel or an ant-heap. But it is also a conscious work of art, and it holds within its communal framework many simpler and more personal forms of art. Mind takes form in the city; and in turn, urban forms condition mind. For space, no less than time, is artfully reorganized in cities: in boundary lines and silhouettes, in the fixing of horizontal planes and vertical peaks, in utilizing or denying the natural site, the city records the attitude of a culture and an epoch to the fundamental facts of its existence. The dome and the spire, the open avenue and the closed court, tell the story, not merely of different physical accommodations, but of essentially different conceptions of man’s destiny. The city is both a physical utility for collective living and a symbol of those collective purposes and unanimities that arise under such favoring circumstance. With language itself, it remains man’s greatest work of art.”
Lewis Mumford, The Culture Of Cities. New York: Harcourt, Brace and Company, 1938.
O entendimento da cidade como “obra de arte” tem vindo a ser elaborado, na Europa, desde o século XVI, por parte de historiadores e profissionais das áreas do urbanismo e da arquitetura. Utilizando os conceitos de “iconografia” e de “iconologia” definidos por Erwin Panofsky, é possível “decifrar” a cidade e propor os seus significados culturais. Para esse efeito, recorre-se a diferentes formas de representação do espaço urbano, designadamente a cartografia, as vistas e panorâmicas, assim como a representações de monumentos ou de determinados trechos do tecido citadino, entre outros. No seu conjunto, estes elementos constituem a iconografia das cidades, fixada em diversos suportes, que vão desde os meios gráficos e artísticos, como a gravura, a pintura, o desenho ou, em alguns contextos, o azulejo, até formas de mediação tecnológica, como a fotografia e o vídeo, a que se juntam expressões mais recentes de apropriação do espaço urbano, como a arte urbana. Neste quadro, incluem-se ainda práticas contemporâneas de representação in situ, como as promovidas pelo coletivo Urban Sketchers.
Este dossier pretende enriquecer o corpus de trabalhos sobre a iconografia das cidades através de novas investigações, num contexto alargado e disciplinarmente abrangente, onde se cruzam a história, a história da arte, a arquitetura, a geografia, a antropologia e a filosofia, ampliando o conceito e articulando-o com os desafios contemporâneos.
Linhas Orientadoras
Este Dossier procura reunir estudos originais que contribuam para o enriquecimento do tema “iconografia das cidades”, assim como para a reflexão sobre a sua pertinência na contemporaneidade, privilegiando abordagens que combinem o rigor metodológico com a amplitude analítica, mas também ensaios sem dimensão empírica que indaguem e questionem heranças e proponham desafios. São bem-vindas propostas que abordem, entre outros, os seguintes temas:
• Heranças iconográficas e novas iconografias
• A iconografia face ao alargamento dos espaços das cidades
• A iconografia e as “imagens” das cidades
• Diversidade temática e de formas de representação da iconografia das cidades
• Iconografias urbanas: da massificação à resistência pessoal ou grupal
• Dimensões simbólicas e míticas da iconografia urbana







